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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Lobão - 50 anos a mil

Esse texto foi originalmente postado no DitoPeloMaldito, eu peguei 'emprestado' porque estou imersa nas Crônicas de Gelo e Fogo, de George R.R. Martin, que deu origem a Série Game of Thrones e se depender desses livros não vou dar dicas de leitura diversificada aqui por um bom tempo. Então, nesse meio tempo vou trazendo dicas de terceiros. Aceito sugestões também.

Segue o texto do @ditopelomaldito na íntegra:


' Fazia tempo que eu não pegava uma biografia para ler, e foi logo com a verborrágica de uma das maiores lendas viva do rock nacional que eu acabei quebrando esse jejum. É claro que estou falando do Lobão e de sua nova cria, o livro 50 anos a mil onde o músico revive sua história que inevitavelmente se mescla com a da música no país. Não sei dizer se seria necessário gostar e conhecer da obra musical de Lobão para poder apreciar suas palavras e litanias, mas já me entrego dizendo que eu sou muito fã do cara, tanto no pessoal quanto no profissional, do tipo que fez questão de comprar seus álbuns mais obscuros.

Assim como o autor, o livro assusta logo de cara, são quase 600 páginas com um pequeno recheio de fotos que dão um volume considerável ao exemplar, mas basta que se comece a ler para não mais parar e mergulhar de cabeça em sua escrita, seja pela ânsia de conhecer um pouco mais da cena da década de oitenta ou simplesmente para, pela primeira vez, podermos conhecer a versão de Lobão dos anos em que os jornais (como ele mesmo canta) lhe gritaram, lhe devassaram e fizeram de tudo para silenciar sua voz.
Paralelo a sua vida pessoal, Lobão parece atuar quase como uma espécie de Forrest Gump da música brasileira, aparecendo como coadjuvante em diversos momentos famosos do cenário musical como a criação da Blitz, a quase morte (uma queda do quarto andar) do Mutante Arnaldo Baptista, sua contribuição para o clássico ‘Menina Veneno’ do Ritchie, e seu ativismo na luta pela aprovação da lei de numeração de CDs, hoje em vigor.

Apesar de se descobrir um escritor com um estilo extremamente eficiente,  Lobão deixa bem claro que seu negócio ainda é a música, por isso junto com o livro você também recebe o caminho das pedras para fazer o download de duas canções inéditas que acompanham o projeto.
Uma delas é a poderosa Song for Sampa, uma sincera homenagem a Terra da Garoa que você pode ouvir agora no vídeo abaixo.'




Na nossa FanPage diariamente está recheada com várias dicas, acesse e curta!

quinta-feira, 22 de março de 2012

O escritor Maldito...

E não me perguntem - ou a ele - o porquê de 'Maldito'. Ele é rabugento, 'mau humorado e bem capaz de te dar uma resposta sarcástica e atravessada. Mas quem conhece Fabio Mourão, sabe que por trás dessa rabugice toda, habita um bom moço.



Você está desafiado a conhecer um pouco mais do Maldito nesta entrevista, divirta-se!


1-      Você foi praticamente alfabetizado em casa, isso te deu vantagem sobre as crianças da escola em relação à leitura e interpretação de texto. Você atribui a isso o gosto por literatura?

 Foi mais ou menos assim, minha ‘coroa’ havia sido professora antes de passar em um concurso para uma grande estatal da época. E como era mãe solteira, ela usava os finais de semana para praticar a arte de lecionar comigo. Ela montava uma espécie de ‘escolinha’ na sala com quadro negro e até hora para o recreio, conclusão, aos quatro anos eu já lia tudo. Quando entrei na alfabetização, eles não tinham mais nada pra me ensinar e as professoras sugeriram que me passasse direto para o próximo ano já que eu não conseguia me relacionar direito com meus amiguinhos que ainda descobriam o ‘Aaaaaa’ de abelha enquanto eu já sabia escrever até palavrão. Eu devia me sentir rodeado por retardados,.. Na verdade, essa sensação persiste até hoje.
Sobre o gosto da leitura não sei dizer como surgiu, mas na mesma época minha mãe se viu forçada a assinar os quadrinhos da ‘Turma da Monica’ para mim. Recebíamos uma dúzia de gibis por mês. Eu lia, relia as revistas e depois revendia para meus amigos por metade do preço da banca de jornal!

2-      Você se lembra do primeiro livro que leu, ou um livro que te marcou. Comente.

 Lembro claramente do meu primeiro livro e principalmente do problema que ele me causou. Minha mãe me presenteou com ‘Marcelino Pão e Vinho’, a história de um órfão que é adotado por freis, esse também foi o primeiro filme que ela havia visto no cinema quando criança. Enfim,.. Eu tinha uns sete anos e comecei a devorar o livro no intervalo do recreio do colégio. Me isolava em um canto do pátio e ficava lá lendo meu livrinho sossegado comendo meu pão com mortadela e sorvendo meu químico suquinho Tang quando uma vez fui abordado por três outros alunos que de cara feira entoaram:
-Aí, tu tá muito metido com esse seu livro. Se você continuar com isso nós vamos rasgar você e encher o livro de porrada.
...ou foi o contrário, não lembro bem. Mas desde então eu passei a ler apenas em casa, na maioria das vezes trancado no banheiro.
O livro que me marcou,.. Eu sempre tive medo que me fizessem essa pergunta, justamente porque sei que eu jamais saberia responde-la. Mas digo que um livro que me marcará, será o primeiro que eu lançar.

3-      Escrever foi uma consequência da leitura?

 Escrever foi a única coisa que já me rendeu um elogio sincero. Mas acho que uma coisa independe de outra, conheço bons leitores que não conseguem escrever nem lista de compras sequer.
Para escrever, você precisa ter algo a dizer.

4-      Quais os autores moldaram seu estilo?

 Não sei bem se eu tenho um estilo moldado. Tento sempre fazer algo diferente, diferente de tudo, até mesmo daqueles que me ‘influenciaram’ por assim dizer. Alguns dos meus textos até podem ser associados a alguns escritores subversivos como o velho Bukowski, Burroughs e até Veríssimo. Adoro esses caras, mas a época deles foi outra. Eles viveram e escreveram sobre um estilo de vida mais simples, onde o coração de uma mulher e uma dúzia de cervejas bastavam para compor uma boa história. Hoje em dia convivemos com a internet, smartphones, uma vida hightech,.. essa é a nossa época. Com tantos novos ‘aplicativos’ acaba se exigindo mais do autor na hora de compor um bom texto que prenda a atenção dos leitores de hoje.

5-      Fale da série interativa que você mantém no Dito Pelo Maldito, onde os leitores podem escolher o final.

 Bom, como eu já disse, eu tento fazer as coisas mais diferentes possíveis. Na verdade a serie já acabou e essa primeira temporada funcionou mais como teste para sentir a reação do publico. Mas já planejo uma segunda temporada pra estrear em breve.

6-      Você diversificou bastante seu estilo nos últimos 2 anos, podemos torcer por uma publicação em breve?

 Talvez possam esperar até duas. Só agora me sinto preparado pra encarar esse projeto que já está em andamento e até o meio deste ano teremos um estilo de livro original e totalmente inédito.

7-      O que você está lendo hoje, recomende-nos algo.

 Como nossas editoras parceiras estão sempre nos enviando livros para serem resenhados no blog, nem sempre eu consigo tempo para ler um livro de interesse pessoal. Mas independente disso, todos os livros que leio são resenhados para o blog na sessão ‘Livros mal lidos’.
Sugestão de leitura? Parem tudo. Não leiam nada até meu livro sair, preciso de vossas mentes vazias para que nesse solo infértil eu possa plantar minha semente de mandacaru maldito!


Não conhecia ainda o universo maldito? Acesse: Dito Pelo Maldito@ditopelomaldito